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Por Márcia Torres, assistente social e coordenadora da campanha A Vida Não Para

As mães têm nos seus lutos muitas peculiaridades. Porém, todas dizem que a dor de perder um filho é a pior do mundo. É uma dor que não tem tamanho e nunca terá fim, assim como o amor que sentiam pelos seus filhos.

As dores, além de emocionais, vão para o corpo físico e, frequentemente, as imobilizam em pequenas rotinas diárias ou até mesmo prejudicam a cognição. Muitas mães desenvolvem algum tipo de transtorno pós-traumático que as levam para uso de medicação e terapia por muitos e muitos anos.

Quando falamos sobre peculiaridades, não estamos falando apenas dos “tipos” de luto, mas também sobre os “tipos” de mãe.

Existem aquelas mães que perdem filhos que “pouco se importavam”. São aquelas que pareciam ou não tinham vínculos afetivos e amorosos com o filho (e vice-versa). Muitas dessas mães escondem esse sentimento e não se sentem à vontade de estar num grupo de apoio pois pensam em julgamentos que certamente serão feitos. Mesmo que não ditos.

Existem também as mães que têm “sede” de vingança. Geralmente, quando perdem seus filhos por assassinato. Essas não vivem o processo porque só focam na vingança e têm muita dificuldade em aceitarem ajuda em grupo ou até mesmo profissional.

E o que falar sobre mãe de filho único? Essas dizem: _ perder um filho único é nunca mais ser chamada de mãe. É não ter objetivo e nem sentido para viver. É estar viva mesmo estando morta.

As mães que perderam seus bebês antes de nascerem ou recém-nascidos têm uma imensa dor . Já algumas mães de filhos especiais têm dor e processo de luto ainda mais duro, pois sentem um enorme vazio uma vez que suas vidas eram vividas para eles.

Perder um filho é perder um pouco de si a cada minuto. É ter certeza que ele nunca deixará de habitar em você. Assim, as lembranças e momentos estarão sempre recheados de amor. Amor que só mães sabem o significado.